Testes em animais – chip criado por engenheiro japonês acaba com essa maldade

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Um tema que vem sendo muito debatido nos últimos anos é o uso de animais para testes químicos, como na criação de produtos de beleza, remédios e até mesmo armas. Isso, pois cada vez mais pessoas estão desenvolvendo a consciência de que a tecnologia pode sim evitar testes em animais.

Para atender a essa nova demanda de mercado, diversos pesquisadores e empresas procuram meios de reduzir ou abolir de vez o uso de animais em testes de laboratórios. Na nossa coluna na CBN tratamos esse tema tão sensível e importante ao respeito de cada ser vivo.

Segundo pesquisas realizadas pela organização não governamental Peta (People for the Ethical Treatment of Animals), mais de 100 milhões de animais, entre eles ratos, cães, gatos, macacos, sapos e peixes, são sacrificados em laboratórios por todo o mundo durante aulas, pesquisas e testes.

No ramo da biotecnologia, por exemplo, já é possível criar novos meios para que pesquisadores não precisem mais realizar testes em animais. Uma dessas alternativas é a partir de chips que são produzidos de forma manual e com ajuda de impressoras 3D.

Ken-Ichiro Kamei, engenheiro da Universidade de Kyoto, recebeu menção do Fórum Econômico Mundial por estar desenvolvendo uma tecnologia que pode mudar completamente a forma como os testes em animais são realizados.

Seu projeto se baseia em chips que replicam órgãos, sistemas e até mesmo corpos inteiros. Ao contrário dos experimentos bioquímicos que são realizados em placas comuns, estáticas e isoladas, a tecnologia desenvolvida por Kamei aborda sistema de canais, válvulas e bombas que tornam o processo mais complexo.

Japoneses transformando o mundo animal

Um dos cientistas envolvidos também com pesquisas em chip foi o ganhador do prêmio Nobel em Medicina, em 2012, Shinya Yamanaka. Suas pesquisas, conhecidas como IPS, sobre célula-tronco, receberam a honraria máxima da ciência e podem utilizar a estratégia proposta por Kamei.

Assim, essa pesquisa abre precedentes para sintetização de carne bovina, criação de produtos a partir de espécies ameaçadas e, futuramente, melhorias significativas na medicina visto que não precisariam fazer testes em humanos.

Estes chips foram idealizados a partir do inconformismo do engenheiro Kamei de ver o sofrimento dos animais durante testes científicos. Essas placas de circuito protegidas por silicone são integradas em mecanismos que realizam bombeamentos, possuem canais irrigados e simulam situações reais como tecidos humanos.

Além disso, elas são do tamanho de lâminas de vidro muito comuns em laboratórios de análises clínicas que todos nós conhecemos. Muitos cientistas se manifestaram a respeito da combinação destas duas tecnologias (IPS e chips) que trazem possibilidades infinitas para ciência.

Dessa forma, os chips conseguem imitar a filosofia de um sistema vivo.

Nesse episódio da coluna Vida Digital, nós trataremos sobre o uso da tecnologia para evitar testes em animais. Assim, iremos falar sobre produtos que já existem no mercado, tecnologias inovadoras que podem mudar completamente a forma como ocorrem os testes em laboratórios e, o mais legal, possibilidades que nos aguardam para o futuro.

Portanto, se você adora ficar por dentro de todas as novidades do mundo digital, saiba que estou todas as terças-feiras na CBN Cotidiano de João Pessoa tratando sobre temas como empreendedorismo, marketing, futurismo, tendências e muito mais.

Nesse artigo, iremos tratar sobre:

  • É possível fazer testes em animais sem crueldade?
  • Como funciona a produção de animais para testes em laboratórios?
  • Como as novas tecnologias podem evitar testes em animais
  • Órgãos em chips
  • Tecnologia para testar antivenenos em máquinas
  • Testes in silico
  • A tecnologia também ajuda a preservar espécies
  • O cenário dos testes em animais no Brasil

Confira!

É possível fazer testes em animais sem crueldade?

Embora muitas pessoas acreditem que as preocupações em evitar testes em animais sejam recentes, em 1959 esse problema já era abordado pelos cientistas ingleses William Russel e Rex Burch.

Assim, eles realizaram um estudo sobre o tema e, durante o percurso, desenvolveram algumas normas que poderiam ser seguidas para a preservação dos animais nos testes em laboratórios.

Dessa forma, os cientistas ingleses estabeleceram os “três R’s da experimentação animal”: Reduction, Refinement e Replacement (redução, refinamento e substituição).

O primeiro ponto do estudo é que os experimentos fosse melhor projetados para que os testes em animais fossem reduzidos ou, quem sabe, não precisassem nem ser realizados.

O segundo pedido era que os animais utilizados em laboratórios recebessem tratamentos adequados para que o medo e a dor diminuíssem durante o processo.

Por último, Russel e Burch recomendavam a substituição dos animais assim que fosse possível para que eles sofressem a menor quantidade de danos possíveis.

Diferente dos dias atuais, não existia a possibilidade de realizar testes em modelos virtuais. Sendo assim, para a substituição de animais, os pesquisadores também indicavam que os testes fossem realizados em plantas, micro-organismos ou parasitas.

No entanto, hoje já é possível que a realidade tecnológica substituas seres vivos através de simulações de computador e outros artifícios, como é o caso da tecnologia de chips desenvolvidas por Ken-Ichiro Kamei.

É importante lembrar que nem todos os especialistas concordam que a tecnologia já pode substituir o uso de animais. Porém, a evolução de tecnologias que prometem simular organismos estão cada vez mais comuns e, em pouco tempo, essa possibilidade se tornará incontestável.

Como funciona a produção de animais para testes em laboratórios?

Para os testes de animais em laboratório, não é qualquer um que pode fazer parte. Na verdade, eles são desenvolvidos por várias gerações e linhagens, sendo considerado no meio do processo até mesmo a sua base alimentar.

Assim, a forma mais comum de produção de animais é através de estratégias de substituição de raças ou cruzamentos a partir da transferência de genes de uma população para outra, sempre dentro das mesmas espécies.

Após isso, é feita a seleção assistida com os testes de DNA, verificando imediatamente quais os genes devem permanecer e quais devem ser eliminados. No entanto, para isso é preciso que o animal atinja a vida adulta para transferir as características para as próximas gerações.

Como você deve imaginar, a seleção é bastante demorada, afinal, é preciso respeitar o intervalo entre as gerações. No caso dos bovinos, cada geração dura quatro anos.

Sendo assim, as procriações podem levar décadas e ainda assim podem não funcionar.

Outra forma é através das clonagens de animais. No entanto, também é demorado e muito ineficiente.

Por isso, o desenvolvimento de novas tecnologias que auxiliem nos testes em laboratórios, excluindo animais dessa cadeia, é bastante benéfico para as empresas também. Todo o processo fica muito mais rápido e barato.

Como as novas tecnologias podem evitar testes em animais

A busca por meios alternativos para evitar testes em animais nos laboratórios já apresenta resultados bastante animadores. Os métodos mais promissores são as simulações de interações moleculares por meio de computadores e novas tecnologias para ensaios in vitro e in silico.

Porém, não pense que o desenvolvimento dessas tecnologias é benéfico apenas aos animais. Na verdade, é uma forma de combater até mesmo os riscos do ser humano durante os testes em laboratório, afinal, cada espécie possui suas particularidades e os resultados podem não ser tão eficazes.

Medicamentos avançados como os imunobiológicos, por exemplo, não provocam nenhum efeito quando aplicados em outros animais se não os seres humanos. Da mesma forma, os testes toxicológicos.

Assim, o objetivo é diminuir a quantidade de animais usados em pesquisas, melhorar a condução e produtividade dos estudos, minimizar o sofrimento das cobaias e desenvolver sistemas que reproduzam as condições dos organismos, o que dispensaria qualquer modelo vivo.

Para isso, existem algumas tecnologias que podem ajudar:

Órgãos em chips

Você já pensou que um dia seria possível que chips substituíssem órgãos? Uma startup alemã foi capaz de desenvolver chips com culturas de células humanas que substituem os testes em animais.

Isso, pois os testes em animais são justamente para avaliar, em teoria, quais seriam os efeitos colaterais quando utilizados em humanos. Como esses dispositivos são interligados em circuitos que simulam as condições do nosso organismo, os animais se tornam dispensáveis para pesquisas.

O Human on a chip é um projeto da empresa TissUse, e está transferindo a tecnologia para o Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), aqui no Brasil.

Esse método é chamado de teste in vitro, ou seja, a criação de células e tecidos artificiais.

Tecnologia para substituir antivenenos

Coordenados pelo professor Carlos Delfín e apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), uma equipe de estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) está fazendo uso da biotecnologia para produzir imunobiológicos que ajudem no tratamento e prevenção de acidentes por animais peçonhentos.

Em resumo, essa pesquisa é focada em criar uma nova forma de cultivo de células em laboratório para o antiveneno da jararaca. O equipamento funciona como um simulador dessas células, poupando assim mais de 70 mil roedores por ano.

Testes in silico

Os testes in silico são simulações em computador para os testes em laboratórios. Porém, o grande diferencial deles é que esses testes são realizados através de um banco de dados de drogas já testadas, buscando assim semelhanças entre as novas drogas, como toxidade e absorção farmacocinética.

Portanto, tudo é tratado com base em predições teóricas a partir de outros estudos. Embora não seja conclusivo, é uma ótima forma de reduzir a quantidade de testes em animais.

A tecnologia também ajuda a preservar espécies

De acordo com a pesquisa realizada pela Endangered Earth, nos dias de hoje existem mais de 16 mil espécies correndo riscos de extinção. Apenas no último século, cerca de 800 espécies desapareceram completamente do nosso planeta.

No entanto, as ações humanas podem salvar muitas espécies ameaçadas, ainda mais quando envolvemos tecnologia ao meio ambiente e vida selvagem.

Na Espanha, por exemplo, um centro de reprodução de ponta foi responsável por triplicar a população do lince ibérico, cuja população não ultrapassava os 100 representantes.

Os Bancos Biológicos também são extremamente eficazes na preservação de espécies ameaçadas de extinção.

Esses locais armazenam amostras biológicas para pesquisa e preservação genética, entre eles tecidos, linhas de células e até mesmo informações genéticas que podem ajudar na recuperação de espécies por meio de tecnologias reprodutivas e pesquisas de genoma.

No Pará, estado responsável por abrigar uma parte importantíssima da floresta amazônica, os ecólogos trabalham intensamente na utilização de softwares que mapeiam e identificam nichos ecológicos de espécies que estão ameaçadas.

Para salvar os rinocerontes brancos, uma das espécies mais raras do planeta (restam apenas 2 fêmeas no mundo) a empresa de ciência e tecnologia Merck está desenvolvendo um projeto de fertilização que pode resultar no nascimento de um filhote da espécie desde o ano 2000.

Nesse caso, o sêmen de Sudan, o último rinoceronte-branco-do-norte macho do planeta, foi recolhido um pouco antes de sua morte e armazenado em nitrogênio líquido.

A ideia é que o implante seja feito em uma rinoceronte-branco-do-sul, uma espécie bastante próxima geneticamente.

Por isso, esperamos de verdade que as pesquisas como as que foram realizadas por Kamei e Yamanaka, sigam firmes e tenhamos tamanha evolução na ciência mundial.

O cenário de testes em animais no Brasil

O Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), órgão regulador dos testes em animais no Brasil, reconhece 17 métodos no país. A maior parte dessas alternativas estão ligadas à produção de cosméticos sem a utilização de animais.

Isso, pois o emprego da engenharia genética e produção de tecidos artificiais podem suprir grande parte da demanda de pesquisas, principalmente aquelas que envolvem a verificação de alergias, irritabilidade e até mesmo dor.

Além disso, os testes in vitro e outros modelos computacionais costumam ser mais precisos ainda.

No entanto, grande parte das pesquisas quando chegam nas fases finais necessitam de animais para os testes.

Atualmente, os estados brasileiros que proíbem testes em animais são Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo e o mais recente, Minas Gerais.

 

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